não pertencer ao próprio corpo
arrancar a pele para fazer uma casa
arrancar os músculos para consumir
gritar a língua para fora e engasgar
desmanchar-me em líquido, pedaços
tão pequenos para pisotea-los com raiva
manchar o chão com meu sangue imundo
rasgar os órgãos: pulmão, cérebro, coração
escutar o choro de cada célula maltratada
assistir ao grito de desespero de cada parte
sorrir ao vê-los agonizando no chão
e ao caos e à miséria pertencer enfim
