Dois polos

É uma angustiante maldição

Viver em um corpo habitado por polos

Gatsby e a criatura de Frankenstein

Coexistindo em um cérebro corroído

Por baratas de uma metamorfose

Incompleta, vulgar e amarga

De alguém que voa alto como Ícaro

E é enterrado a sete palmos como um defunto

Numa questão de semanas, meses

Inúmeras vezes ao ano, a uma vida 

Vivida entre o verão e o inverno

O sol que queima e a chuva que derrete

Os gritos de euforia e os de desespero

Um ciclo que infinitamente se desgasta

E no fim, Ofélia foi a mais sábia

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