[sem título 6]

Arranquei de você seu coração

Com minhas próprias mãos

Apertei-o de tal modo que

Toda raiva que sentiste em vida

Explodiu em teu sangue jorrado

Caíste no chão sem ver quão belo

Podia ser sem pesada emoção a te reger

E com olhos petrificados encaraste o céu

Lugar religiosamente adorado por ti

E que não conhecerás

Nos encontraremos de novo.

Eu, com seu sangue em minhas mãos,

Rosto, corpo como cena de crime.

Você, com minha alma despedaçada

Por cada chicotear de sua língua

Se peco por arrancar de você a vida,

Pecaste ao arrancar de mim o ato de viver.

(Poema incluso no livro “Penumbra“)

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